Bem vindos ao site Amante Profissional.
Sobre o blog Amante Profissional Conteúdo
Se o que procura é informações sobre como marcar um encontro, o Blog Amante Profissional não é o endereço ideal para si - pelo menos não para fornecer as informações mais imediatas que possa precisar - mas o Garota de programa independente... para relacionamento sério (leia o resumo).
O Blog Amante Profissional é o meu blog pessoal, que pode ser acessado por qualquer pessoa com mais de 18 anos que tenha a mente aberta. É um blog para os meus desabafos... ou devaneios, que seja. Mas não é apenas um blog pessoal, mas um blog sobre tudo o que acontece à minha volta. O blog é dividido em categorias, que exploram assuntos diferentes, tais como: Atendimentos entre quatro paredes, livros para ler na cama, Prostituição na Imprensa, DST's, etc.
A História do blog
O Blog Amante Profissional, o meu diário pessoal enquanto garota de programa, está na Internet desde Novembro/2005. Inicialmente foi num domínio blogspot, o Terapeuta Sexual (ainda existente, porém desactualizado). Como o número de visitantes era cada vez maior, em Janeiro de 2006 transferi o blog para um domínio e alojamentos próprios, e todos os meus conteúdos existentes como os seguintes, excepto os relacionados com o livro, passam a fazer parte do domínio amanteprofissional.com.
Durante muito tempo tive alguma resistência em relação a ter o meu blog na Internet enquanto garota de programa, e no âmbito dessa actividade só participava com os meus textos em fóruns da Internet. Mas tive dois impulsos principais...
O primeiro deles é que, dois meses antes, havia colocado um blog de contos eróticos no ar, também nessa altura num domínio do blogger, mas antes participava em fóruns com os meus contos e tinha sempre que responder o que era realidade ou ficção nos meus contos eróticos; a maioria dos meus contos misturavam ficção com realidade, e, como queriam saber a realidade da minha vida enquanto garota de programa, resolvi que era a altura de criar um blog pessoal, onde a ficção não entra.
Minha segunda motivação, e não menos importante, é que naquele mês de Novembro de 2005, uma brasileira, com o nome Verli, falecera em Portugal. Nunca conheci a Verli, mas a sua morte, de certa forma, estava relacionada ou influenciava a minha vida. Verli era prostituta, vivia em Viseu onde atendia os seus clientes, assim como viajava no Verão para o Algarve - como muitas outras colegas minhas, visto que nessa altura essa região está cheia de turistas - e a causa da sua morte era a SIDA. Através de muitas especulações nos jornais, dizia-se que Verli fazia sexo sem preservativo com os seus clientes.
E era bem verdade que, nessa altura, começavam a aparecer muitos anúncios em jornais de meninas que, claramente, diziam fazer relações sexuais desprotegidas. Mas isso não significava, de forma alguma, que todas as prostitutas, ou sendo mais específica quanto ao estigma, que todas as prostitutas brasileiras também tivessem o mesmo procedimento, apesar de eu mesma saber que certos sectores da prostituição são muito influenciáveis por "modismos". Talvez não se tenha essa ideia, mas o sector da prostituição, em Portugal, é constituído por uma forte percentagem de trabalhadores de origem brasileira. 60% do sector? Não menos que isso. Talvez até 70, 80%...
É também verdade que, nessa altura, a imagem das prostitutas brasileiras em Portugal mostrava um contraste muito grande com o que fora antigamente. Segundo uma pesquisa que fiz assim que cheguei no primeiro bordel, conversando com clientes e com profissionais mais antigas, quando as brasileiras chegaram em Portugal fora causado um grande furor. Os homens estavam encantados com a imagem da linda Sônia Braga em Gabriela, e ter uma brasileira agora bem perto de si era até um certo luxo, e inclusive um capricho ao qual não ousava resistir. Mas passados tantos anos, a imagem tão cheia de glamour que me passaram sobre esses tempos já pouco existia. E isso, tenho que dizer, nem é culpa directa das profissionais. O que aconteceu foi que, em função de uma ganância desmedida, as redes invadiram Portugal de prostitutas brasileiras. «As prostitutas brasileiras são o "sonho de consumo" dos portugueses? É relativamente barato trazê-las? Então vamos encher Portugal de prostitutas brasileiras!» Incentivaram tanto a prostituição de brasileiras em Portugal que o cenário é o que se vê hoje: meninas cedendo às práticas que podem prejudicar a sua própria saúde, programas com valores humilhantes, e uma concorrência nem sempre leal entre um prostíbulo e outro.
Ainda hoje alguma "boa imagem" das prostitutas brasileiras se mantém: de que são mais meigas, mais quentes na cama, etc. Entretanto, mesmo à "boa imagem" fora somada uma outra imagem nada positiva: a imagem de analfabetismo, ignorância, pobreza ou mesmo até criminalidade.
Assim como as próprias prostitutas de alguns sectores vão sendo influenciadas por "modismos", os clientes não são uma excepção, afinal também fazem parte do meio.
E esse era o cenário do ano de 2005: além do estigma social, dos "modismos" na actividade, da concorrência desleal, da nova caracterização da "prostituta brasileira", a profissional por vezes também tinha que enfrentar a pressão de alguns clientes.
E o que a Verli tem com isso? A partir do momento em que se aparecem anúncios em jornais de prostitutas que fazem relações desprotegidas, boa parte dos clientes começam a pensar que isso é uma regra geral. Resumindo: o meu próprio telefone começava a ser infestado de ligações de homens que procuravam pelas tais relações desprotegidas. Se você não imaginava que isso poderia acontecer hoje, quando tanta informação temos à volta, que os clientes não procurariam por relações desprotegidas... Está enganado. Porque o reflexo que causa na cabeça do cliente é outra. Porque o que se passa na sua cabeça é o seguinte: se ela que atende tantos clientes - sem protecção - por dia e não pega uma doença, não serei eu, por ir uma vez só, que vou pegar. Sei, é estúpido, mas assim que muitos pensam. Porque os conceitos de honestidade são esses; porque se acha que apenas as pessoas mais libertinas poderão pegar uma doença; pensam que é preciso fazer muitas vezes para ser infectado, quando na verdade, para pegar por exemplo uma SIDA, basta uma única relação desprotegida.
Ainda fiquei algum tempo a perguntar às paredes: «Ninguém vai falar nada? Ninguém vai falar nada não?» E como ninguém falou, só me restava esta opção, ser eu a falar, e foi assim que abri o meu blog.
Se a Verli estava errada? Claro que sim. Entretanto, não era só ela a culpada. Ela não enfia uma pistola na cabeça dos clientes e os obriga a fazer sexo sem preservativo. A culpa não é só da Verli, nem só dos clientes. A culpa é nossa de uma forma geral. A culpa é nossa quando nos calamos e quando não temos "olhos de ver", enxergando apenas aquilo que parece mais óbvio.
«E o que é que vocês sabem sobre a prostituição?» - era o que perguntava quando via mais uma centena de estigmas ilustrando as páginas dos jornais. Sempre me pareceu claro que muitos dos interesses que apareceram de "desvendar" a prostituição não era com o objectivo de melhorar o cenário, mas de determinar que a prostituta devia ser cada vez mais escrava.
E foi dessa forma que abri as portas do meu quarto e da minha vida num diário virtual. Muito tinha que ser esclarecido e desmistificado.