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July 4th, 2008 at 1:26 am
Meus queridos amigos, em função das novas mudanças na minha vida - ai, grande novidade!, vira e mexe eu falo de mudanças, risos, mas a minha vida é assim mesmo - o tempo para blogar tem sido curto, muito curto.
Mas não pensem que por isso estarei em falta por aqui, muito pelo contrário, até porque para escrever sempre arranjo um tempinho, nem que seja numa caixa de fósforos.
Estou por isso deixando uns posts programados - tanto aqui quanto nos meus outros blogs - que entrarão em horários certos, assim nem darão pela minha ausência.
Não estarei ausente não, estarei ausente é do computador, isto porque agora pela manhã tenho, digamos assim, uma outra “actividade”. A questão é que, voltando agora a ter um outro trabalho - algo que andava a procurar há tempos - o resto do tempo que me resta acaba sendo dedicado a coisas mais práticas (tipo, atender os meus amantes-amigos).
Vocês possivelmente me perguntarão a razão de, no meu blog para os que pretendem se tornar amantes-amigos eu não alterar o “horário de atendimento”, isso é muito simples, e aqui conto “em segredo” por ser o meu blog pessoal: porque mudar o horário faz com que mudem os hábitos das pessoas que me ligam. Lembra daquilo que falei que posso ficar uma hora inteirinha sem atender um único telefonema, mas basta uma pessoa ligar para todo mundo me ligar, ou que basta uma pessoa querer um horário para sexta-feira às 17h que todos os outros vão querer esse mesmo horário? É isso.
Lembro por exemplo dos meus últimos dois empregos em horário integral, foi uma confusão imensa. Nessa altura, aliás, eu tinha uma maioria de amigos que me visitavam mais à noite, depois das 7. E como nos dois empregos o meu horário era até às 5 da tarde, e não sendo muito longe de casa me permitia antes das 7 já estar em casa e de banho tomado, pensava eu que não iria ter problema algum. E fui, pois claro, avisando aos meus amigos que desde então apenas poderia atender á noite, que era, aliás, o horário que costumavam me procurar. Então acredita que começou a me ligar um montão de gente querendo estar comigo justamente no horário em que eu estava no meu emprego? Pior que isso, até as pessoas que costumavam estar comigo à noite, e que até então nunca tinham estado comigo em outro horário, por vezes ligavam dizendo ‘ah, Paula, queria estar contigo hoje às 14h, é que essa semana não vou poder estar à noite contigo, mas às 14h agora não pode, não é?’.
E sendo mesmo muito sincera com vocês… Como na maior parte das vezes eu pagava para trabalhar ao invés de ganhar para trabalhar - só o que costumava gastar com transporte, alimentação, etc., se colocasse na ponta do lápis, era sempre mais do que aquilo que ganhava - eu por dentro ficava até irritada com isso, pensando: “por que na altura em que eu estava disponível durante o dia essas pessoas não me procuraram mas procuram apenas agora quando não estou disponível nesse horário?”
E quando fui fazer o curso de massagem então? Foi a mesma coisa, o curso era o dia quase todo, no sábado até ao meio da tarde. Mas nessa altura eu não tinha muitos amigos que costumavam me visitar no sábado não, os que iam - e que eram em menor número do que em dia de semana - era sempre mais tarde. Aí foi só eu dizer que no sábado até ao meio da tarde - e depois disso ainda tinha aula no conservatório, mas era por pouco tempo - não ia estar disponível para todo mundo querer estar comigo naquele horário e só poder naquele horário.
Muito se engana quem pensa que vai entrar na actividade e vai ter das 14h às 16h pessoas que te visitam diariamente. Elas te visitam quando elas podem, não quando você pode, e será sempre naquele horário que você não pode, independente de qual horário for, que as pessoas vão poder estar contigo, risos. Até quem trabalha sem marcação sabe disso, basta ela pensar que não vem mais ninguém, colocar o pijaminha e permitir que a Cinderela se transforme em abóbora para todo mundo ligar querendo um encontro, risos, risos. Nesse aspecto a vida em boîte tinha um stress muito menor. Depois daquele “horário de expediente” você tinha a sua própria vida, podia inclusive programar melhor a sua vida. Não tinha que atender telefonemas para alguém me dizer que, afinal, só pode estar comigo naquele que não é o meu horário de expediente, se a pessoa quisesse estar comigo ela ia lá e eu estava lá naquele horário. Não, não era melhor trabalhar em boîte do que ser independente, mas o stress era bem menor sim.
Bom, então é isso, nem vou tocar nesse assunto por lá, resolvi responder aqui apenas para esclarecer, afinal esse é o meu blog pessoal.
Outra coisa que também tenho que dizer diz respeito ao enorme atraso dos posts enviados por e-mail, vou resolver isso em breve, estou fazendo testes.
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July 3rd, 2008 at 2:13 pm
Pois então, hoje é o último dia de folga.
Ontem acabei deixando o telemóvel no silêncio durante um bom tempo, só tirei do silêncio agora, isso porque não faz muito sentido estar de folga e atendendo telefone. Quer dizer, até faz sentido - porque eu sei que a palavra “folga” é sempre relativa, um dia fora e todo mundo começa a achar que afinal deixei a actividade - o que não faz sentido é atender telefone - o telefone que é utilizado para assuntos imediatos, coisas que não podem ser adiadas - quando os assuntos não são importantes, coisas que poderiam ser ditas e respondidas por e-mail quando assim houvesse oportunidade.
A questão é aquela coisa da qual já falei, quando uma pessoa liga todas as outras ligam também. Posso passar uma hora inteirinha sem atender um único telefonema, basta um ligar que todos ligam, basta um marcar para sexta-feira às 17h que todos vão querer aquele mesmo horário, risos. Aí se fico sem atender o telefone há quem pense “ela saiu da actividade”, “ela não quer falar comigo”, “devo ter feito algo errado e por isso agora ela me evita”, “ela não deve ter gostado de mim, por isso não quer falar comigo”, etc., etc., mas não coisas do tipo “será que agora ela não está ocupada?”, “será que ela não está no período?”, “será que ela enfim não resolveu tirar folga?”, “será que nesse momento ela não pode estar ao telefone com a sua avó?” Isso acontece em apenas um dia que não atendo o telefone, se fico vários… bom, ai a coisa é bem mais complicada.
Mas aí o que as pessoas pensam é o seguinte: ah, ela está de folga, então será melhor para falar, quando, pelo contrário, se estou de folga é porque estou querendo descansar, deixo o telefone ligado apenas porque pode ser algo de mais importante mesmo.
Por importante estou falando de telefonemas de “amantes-amigos” ou de amigos que têm algo a dizer.
Veja só, eu atendi um telefone agora e sobre o que de mais importante a pessoa me falou? Me falou que a Angelina Jolie foi de helicóptero para o hospital onde terá os gémeos, que o Brad também já esteve lá no hospital, eu ouvindo aquilo e pensando: O que é que eu tenho a ver com isso? Sério que esse assunto é importante? Ok, eu até gosto dos dois sim, mas não ao ponto de querer falar ao telefone sobre isso.
Há pessoas que perdem completamente a noção, risos…
Mas eu ainda prefiro falar com essas pessoas que sabem que estou de folga. Pelo menos elas sabem que estou de folga, risos, o pior é atender o telefone e pessoas, que não conheço de lado nenhum, e que de mim apenas conhecem o meu número, ligarem assim meio “desavisadas”.
Não tenho muita rede quando estou em casa, logo o que faço é reencaminhar chamadas de vários números meus para o mesmo aparelho - aquele que apanha melhor rede. Que adianta estar com vários telefones se sou eu a atender todos?
«Olha, estou cansada de descansar», era o que eu queria dizer agora, entretanto não é isso não, descansei sim, mas não tudo o que precisava. Dormi bastante, principalmente no sofá, só esta noite dormi 6 horas inteirinhas, mas ontem das 19h às 20h também tinha tirado um cochilo.
Devem ter reparado que comecei a publicar posts em horários meio estranhos, no meio da tarde e não às madrugadas como era meu hábito. Isso em função de uns “compromissos” que agora tenho pela manhã, algo que exige que eu durma bem cedo.
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July 2nd, 2008 at 2:20 pm
Eu não sou chata, nunca fui. Até em bordel, eu era aquela que menos recusava clientes. Deixa eu explicar a minha forma de pensar… Eu entendo que todos nós enquanto seres humanos temos defeitos e qualidades. Sim, defeitos e qualidades. Eu, você, o ‘cliente’, etc. Ou seja, pelo simples facto de nenhum de nós ser perfeito que eu sempre soube que seria uma estupidez exigir a perfeição de alguém, exigir a perfeição quando inclusive eu não sou perfeita.
Explicando antes de continuar: hoje, quando recuso, não é em função do homem não ser perfeito. É, principalmente, por ele buscar algo que não ofereço. Por exemplo, para mim, enquanto amante profissional, é importante que essa pessoa busque pelo carinho, por construir uma relação ao invés de apenas ter uma relação, ternura, que queira acima de tudo ser meu amigo, logo o que me faz recusar é notar que não é nada disso que essa pessoa quer.
Aí tinha aqueles homens que as meninas não queriam atender. Às vezes com razão, às vezes sem razão. E por eu ser aquela que menos recusava, antes de colocar o cliente da porta para fora esperavam - esperavam eu sair de um quarto, digo - para ver se eu não iria querê-lo.
Às vezes podiam ter razão, o homem era estúpido e arrogante, aí nem Paulinha queria. Mas por vezes os critérios das minhas colegas eram muito diferentes dos meus. Por exemplo, em bordel bastava chegar aquele tipo endinheirado que ninguém mais via os outros, aqueles outros que não iam apenas uma vez por semana ou por mês, mas que estavam no bordel quase todos os dias. Mas a Paulinha sempre preferiu esses que estão lá quase todos os dias do que estes que só lá vão uma vez ou outra. É verdade, vão uma vez ou outra e gastam muito, mas por irem poucas vezes a intimidade não era a mesma que a com os outros - aqueles que gastam menos, mas vão quase todos os dias - logo eu só ia nesses depois que atendia aqueles que eu já conhecia, eu não parava tudo apenas porque aquele cliente que paga 50 garrafas de champanhe uma vez por mês acabou de chegar no puteiro, ops, bordel.
Aliás, eu morria de rir da “ingenuidade” de algumas meninas, calculavam o nível social de um homem apenas em função daquilo que ele vestia. Elas nem sabiam que - em Portugal pelo menos - os homens mais ricos eram os que se vestiam da forma mais simples. Os que vêm de fato? Alguns até eram ricos, mas uma pequena parte, a maioria era tudo vendedor, “representante comercial”, nada contra essas profissões, só estou dizendo que não é a roupa de uma pessoa que diz o que ela tem, muito menos ainda será a roupa que dirá o que ela é.
O que você tem, aliás, não me interessa. Nem se pensasse apenas no dinheiro, não faz o mínimo sentido, veja só: imagine que cobro um valor x e atendo dois clientes diferentes, um que tem milhões e outro que tem apenas o seu salário. Nem o que tem milhões vai me dar assim generosamente todos os seus milhões e nem o que tem salário vai me dar todo o seu salário, portanto que diferença faz, melhor dizendo, por que atenderia um de forma melhor que ao outro? Na hora de me recompensar, ninguém vai me dar tudo o que tem, mas apenas uma parte do que tem, logo, para que haja um diferencial entre eles, o que deve me dar é algo muito mais interno, muito mais íntimo, muito mais humano.
Por ser a que menos recusava clientes que serei, possivelmente, aquela que conheceu os piores clientes. Mas excepto no caso dos homens que possam ter se mostrado arrogantes ou desumanos, nos outros casos não pensem que me lembro disso com algum sentimento de tristeza, pelo contrário, eu tenho o maior orgulho de dizer que possivelmente fui aquela que teve os piores clientes.
Por quê? Porque eu não saberia nada da vida hoje se não tivesse atendido os piores clientes, nem da vida, nem do sexo, nem das emoções de cada um. Pegar cliente que já sabe tudo e que já faz tudo certinho é fácil, não é não? Melzinho na chupeta, mais mole que isso só sopa de minhoca. Como um dia eu poderia dizer “ok, me sinto mais preparada”, se afinal tudo me tivesse sido tão simples e fácil? Aliás, qual seria a minha função se mais nada haveria para ser descoberto? Mais que isso, ter atendido os piores clientes não significa que continuaram a ser os piores clientes ou piores homens, pelo contrário.
A questão é que ninguém nasce sabendo tudo ou é obrigado a saber tudo. Todo mundo erra, falha, tropeça, por vezes até sem saber. Ninguém nasce sabendo tudo mas outra coisa também te digo: não serão muitas as pessoas que você encontrará no seu caminho dispostas a te ensinar alguma coisa. Muito poucos serão os mestres, muito poucos serão aqueles que irão te orientar, te dar a mão, ou como eu diria na minha filosofia enquanto amante profissional - inspirada em Lao Tsé - ensinar a pescar ao invés de no máximo te oferecer um peixe.
É muito fácil - e cómodo - exigir que o outro saiba de tudo quando você não se deu ao trabalho de ensiná-lo, orientá-lo, e na maior parte das vezes as pessoas querem as coisas assim, tudo já na boca, mastigado, ter apenas o trabalho de engolir, exigir que o outro já saiba tudo quando nada lhe foi ensinado.
Sobre mim o que posso dizer nesse sentido é que não fui preguiçosa. Atendi sim os piores clientes, aqueles que não sabiam de nada, aqueles que tinham as piores posturas, mas sempre me esforçando para que se tornassem não só melhores amantes, mas sobretudo melhores homens. E tenho orgulho disso.
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July 1st, 2008 at 2:16 pm
Folga: Hoje estou de folga. Você já não disse isso ontem, Paula Lee? Pois disse, mas agora estou dizendo de novo, quer dizer, estou dizendo que hoje também estou de folga. Estou atendendo o telefone sim, mas estou de folga. Eu sei, início e fim de mês é a pior altura para se pensar em tirar folga - digo, na minha actividade, é quando as pessoas estão mais folgadas financeiramente e logo se lembram de quê, de quê, de quê? - mas tinha mesmo que ser agora.
SMS: Não estou dando conta de apagar todas as mensagens SMS de modo a permitir que cheguem as novas. Eu me pergunto qual será a razão de isto acontecer mais habitualmente quando estou de folga, risos.
Sexo e a cidade: Eu não disse que ia assistir Sexo e a Cidade de novo? Pois é, assisti com o Gatito. Ele não compreendeu muito bem a amizade da Miranda com a Carrie, ficou dizendo “então isso que é amiga, hein?” Mas como ele nunca assistiu a série não poderia entender, apenas através do filme, que aquilo era amizade sim, simplesmente cada um tem o seu jeito, e a Miranda sempre foi assim, e nem por isso era menos amiga ou inimiga, pelo contrário, a relação da Carrie com a Miranda sempre me pareceu muito mais forte do que com as outras duas do grupo.
Momento “vou-me-jogar-num-buraco”: Falando meio com metáforas… Sabe quando alguém apenas faz algo mas não por si próprio, mas para chamar atenção de alguém ou dos outros, ou talvez querendo que alguém ou os outros prestem atenção em si e não no outro? Há coisas que faço sistematicamente todos os anos, o que quer dizer que no ano seguinte se espera que eu volte a fazer o mesmo. Sempre o faço por mim, apenas por mim. Verdade seja dita, basta fazê-lo para ver muita gente fazendo. Esse ano então decidi, antecipadamente, não fazê-lo, apesar de não ter comunicado, o que poderia significar que iria fazer em segredo - como se fosse segredo algo que se faz sistematicamente. Muita gente disse que ia fazê-lo, possivelmente crentes de que eu também o faria. Exagero da minha parte? Se fosse exagero, não teriam deixado de fazê-lo apenas porque eu esse ano - ao contrário do que pensavam - não o fiz. Pode apostar, estão esperando que eu o faça para que o façam também, não porque queiram fazer, mas porque gostam de andar com as pernas dos outros. Tem gente que não sabe andar sem muletas, mesmo quando tem as próprias pernas. É nessas horas que eu pergunto: Se eu disser que vou me jogar num buraco você se joga também?
A noiva judia: Acabei o livro do Pedro Paixão, foi nessa madrugada. Muitas anotações feitas no meu caderninho. Sim, assim que possível faço a resenha lá no blog do livro.
Problemas: Os problemas dos quais falei - e não falei - continuam nos mesmos lugares. Mas eu estou curiosamente bem calma. Me faltando a possibilidade de agir, me resta a alternativa de esperar. E por acaso espero acreditando, apesar de não ser do tipo que fica esperando por milagre.
Junho x Julho: Em Junho não consegui cumprir a minha promessa - necessidade - de organizar melhor o meu tempo. Esse mês de Julho penso que vou conseguir. Para começar já se vêem resultados, como o menor número de posts diários. Outro deles foi o facto de ter começado esse mês tirando folga, nada melhor para me ajudar a ganhar tempo do que aprendendo a também me dar o tempo de descanso, afinal (e eu, que sempre soube isso, quase me esquecia) podemos ser muito mais produtivos se estivermos mais relaxados.
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July 1st, 2008 at 1:02 am
Olha, eu posso até estar errada… mas há coisas com as quais eu não concordo não.
Ele foi impedido de salvar vidas. A razão? Por ter dito a verdade e por causa de mim.
Ele sempre foi um homem solidário, não era a primeira vez que o fazia. Então se lembrou do seu papel para com a Humanidade e lá foi doar sangue.
Aliás, antes de fazê-lo havia me ligado, eu ainda dei o maior apoio, ainda me lembrei que há já bastante tempo que eu própria não doo sangue, mas quando o faço gosto de levar mais pessoas junto comigo, conheço pessoas por exemplo que têm aquele sangue que é raríssimo, o O, que é muito importante para qualquer Banco de sangue.
Bom, aí ele foi, mas depois me mandou uma mensagem contando.
Chega aquela hora em que perguntam se você teve mais de um parceiro sexual nos últimos seis meses. E aí ele foi sincero, respondeu que sim, afinal havia estado comigo na última semana.
Fizemos sexo sem preservativo? Óbvio que não. O preservativo rasgou? Não. Algum contacto com sangue, seringas, etc? Não. Houve algum tipo de relação oral - eu nele ou ele em mim - sem protecção? Não. Houve algum contacto com os fluidos sexuais de um ou de outro? Não. Beijamos na boca? Nem isso.
Foi sim uma relação muito cheia de afecto, muito cheia de carinho e de ternura, mas no que diz respeito ao sexo propriamente dito foi tudo do mais certinho, conforme deve ser.
Mas o que importava não era se tinha feito relações protegidas, mas se tinha feito relações, logo não permitiram que ele doasse sangue apenas porque havia tido mais do que uma parceira sexual nos últimos seis meses.
Agora veja bem… Se eu chegar lá, me fazer de santa e dizer que não tive mais do que um parceiro sexual nos últimos seis meses - quando, sempre de forma protegida, tenho sim muito mais em apenas uma semana - iriam com certeza me autorizar, a análise seria feita ao meu sangue, ele estaria em excelentes condições e seria doado - se não estivesse eu não estaria doando.
Já aconteceu de o preservativo rasgar sim, contei no meu livro. Entretanto não pensem que por isso vou sair doando sangue. Pelo contrário, fui fazendo as análises constantemente e com muita dó da minha parte fiquei sem doar sangue durante um bom tempo. Por quê? Porque podia não ter identificado logo nos primeiros exames. Mas pronto, depois de muitos exames voltei a ficar tranquila, mas jamais antes de obter essa tranquilidade pensaria em doar sangue.
Vou dar um exemplo daquilo que não concordo. Eu doo sangue desde cedo, desde cedo mesmo. Tenho carteirinha de doadora de sangue assim como os meus órgãos também já foram todos doados (para depois da minha morte, mas por favor, não cismem de me matar por causa disso). A questão é que eu não tenho razão de ficar com aquilo que não preciso. Depois de morta não vou precisar de pulmão, fígado, coração, portanto se alguma coisa ainda prestar… bom, que ajude a quem precise. Sangue é outra coisa que não preciso de tanto, não vou morrer por dar um pouquinho do meu para pessoas que possam precisar. É verdade, tenho pânico de agulhas - pânico mesmo - mas a minha vontade de ajudar é até maior que a minha fobia.
Então quando eu comecei a doar sangue comecei também a levar várias pessoas lá comigo: minha família toda, meus amigos da escola, meus amigos do trabalho, meus vizinhos, eu era capaz até de estimular alguém com quem conversasse pela primeira vez a também doar sangue.
Então tenho uma amiga que doa sangue desde esta altura também. Ela é casada, logo nunca recusaram o seu sangue, ela não trai o marido, é sempre apenas um parceiro sexual nos últimos seis meses, aliás, ele é o parceiro sexual da vida toda dela.
Ele só doou sangue uma vez, ela, pelo contrário, continuou sempre doando. Enquanto casados há anos, naturalmente fazem sexo sem preservativo. Por serem casados há anos e por ela dizer que ele é o seu único parceiro sexual, naturalmente nunca recusam que ela doe sangue. Entretanto há algum tempo atrás ficamos sabendo que ela anda a botar galho na cabeça dela.
Aí quer dizer, adianta alguma coisa? Alguém aí pode me garantir que esse galho está sendo colocado com ou sem preservativo? A médica pode saber disso? Até se a minha amiga soubesse disso, poderia ela garantir?
Mas pronto, ela não sabe de nada e portanto não tem nada a dizer a não ser o de sempre, ele é o único homem com quem tem relações sexuais.
Por ela fico contente porque, enquanto doadora de sangue, esse sangue não é doado logo, não enquanto não têm certeza absoluta de que está em excelentes condições, mesmo se houver a mais pequena dúvida enviam uma carta pedindo para refazer o exame. Aliás, aconteceu, mandaram uma carta e ela ficou louca, pela primeira vez suspeitou da infidelidade do marido. Acabou que não deu nada, mas pelo menos durante aquela altura, segundo cheguei a saber, o marido deixou de chifrá-la.
O que estou dizendo é o seguinte… Se faço sempre relações sexuais protegidas, tenho muito mais certeza da minha saúde do que qualquer outra pessoa, mesmo se essa qualquer outra pessoa tem um menor número de parceiros sexuais. Porque se eu tenho um parceiro com quem faço relações sexuais desprotegidas, para saber da minha saúde não é necessário saber apenas da minha vida sexual, mas também da vida sexual desse parceiro. Sim, acredito no amor e na fidelidade, apenas estou dizendo que é um tanto patético acreditar apenas na palavra de um - quando apenas este está ali doando sangue - mas descartar aquele que, apesar de confessar que tem um maior número de parceiros sexuais, faz relações apenas com protecção.
Estou dizendo, inclusive, é que há todo um estigma de que as pessoas que fazem sexo com preservativo não são sérias.
Agora me responde: como eu posso então lutar contra essa quantidade enorme de gente que fica pedindo por relações sexuais desprotegidas se até um simples - e igualmente bonito e responsável - acto é punido?
Como posso estimular as pessoas a fazerem sexo com preservativo se tal acto não as torna nem mesmo dignas?
Como posso falar em preservativos se este ainda é sinónimo de gente pervertida?
Como posso falar do uso do preservativo para preservar a própria vida se ao usá-lo você não pode também doar um pouco da sua vida para o outro?
Como posso falar de segurança na relação sexual, de protecções, etc., se aquele que preza por essa segurança pode ser excluído, ou melhor, quando o seu comportamento não será considerado saudável?
Fica difícil.
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June 30th, 2008 at 1:25 pm
Julho na porta: Esse mês de Junho não foi muito bom para mim não. Mas Julho está aí na porta, estou na maior fé de que vai tudo ficar bem.
O jogo de ontem: Espanha venceu. Eu disse que ia torcer para a Alemanha, o Gatito para a Espanha. Motivos? Sei lá, tenho uma grande paixão pela Alemanha desde a última viagem. Mas de repente me vi torcendo para a Espanha, e não pensem ser em função do ‘golo’ - ai, que palavra difícil de escrever - marcado, mas apenas por causa da cor do uniforme, vocês sabem que adoro um vermelho. Não me xinguem, mas sou Flamenguista. Roxa não, vermelha.
Desafio: O meu amigo Jorge do Rio logo existo me deixou um desafio no seu penúltimo post. Irei respondê-lo essa semana. Não gosto muito do 11, apesar de ser um número que me persegue. Quer dizer, até gosto do número, o problema é que ele tem uma força muito grande. Falou a taróloga.
Amigos de Angola: Obrigada à amiga que chamarei aqui de A.N. pela mensagem que me enviou por sms nesse fim-de-semana. Obrigada por todos os amigos que me lêem em Angola. Assim como a minha amiga Marisa da Alemanha, veja só que lindo que a A.N. disse na mensagem: “…Se algum dia vieres a Angola, já tens onde ficar.” Na outra mensagem dizia assim: “… São mulheres como tu que fazem com que cada vez mais me orgulhe em também o ser, independentemente de qualquer coisa.” Aí depois tem gente que diz que esse blog é só “de homens”, veja só que preconceito… (Obrigada, amigas!!!)
Pedro Paixão: Li 2/3 do livro. Tive que parar para reflectir. Olha, o cara é bom, o cara é bom mesmo. Tipo, tem um estilo muito próprio. O Paris-Texas tinha me falado para prestar atenção no primeiro conto, que era o melhor. Eu digo mais que isso, eu digo que, mesmo se o resto do livro fosse um lixo, só o primeiro conto já faria com que qualquer leitor não se sentisse lesado. Mas depois de 2/3 do livro lido posso dizer, há outros também muito bons, estou fazendo anotações.
Estilo: Isso é uma coisa que me mata de inveja, uma pessoa manter um estilo o tempo todo. Acho que não consigo isso não, até porque no outro minuto sou tomada por outro tipo de emoção e isso se denuncia até na minha escrita. Lembro do trabalho que foi escrever o Alugo o meu corpo justamente porque eu queria passar para esse livro emoções de anos atrás, emoções estas pela primeira vez. Queria passar uma ingenuidade que hoje não tenho - não na totalidade ou não como antes -, passar aquele sentimento de surpresa em cada novo acontecimento - sentimento esse que se desvanece com o tempo depois de fazer muitos quartos ou ver muitos pintos -, passar aquela inocência da juventude - pois é, hoje já sou uma velhota, já faço 27 esse ano -, passar aquela ansiedade tão característica de quem acaba de fazer mudanças tão bruscas na sua vida mas que ainda não deixa de ser na verdade alguém que ainda está a começar o seu caminho, etc. Não, eu não podia escrever aquele livro sendo eu hoje, eu queria escrever aquele livro sendo eu ontem, e o consegui, mas só o consegui porque tinha vários recursos para me ajudar, como os diários e álbuns de fotografias.
Sem emoção: Aí eu falava sobre esse assunto com um amigo e ele me perguntava: então já pensou em como seria escrever um livro sem emoção alguma? Aí eu respondi: “sim, aí seria um livro jornalístico”.
Folga: Pois é, estou de folga hoje, continuação da folga de ontem. Para descansar e renovar energias, uma forma inclusive de estar pronta para o mês de Julho, quando tanta coisa - boa, assim espero - me aguarda.
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